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A nova abordagem aos cabelos grisalhos faz com que as colorações agressivas pareçam ultrapassadas.

Mulher com cabelo grisalho longo, num salão, veste blusa preta e segura o cabelo enquanto olha para a câmara.

A mulher na cadeira do salão fixa o olhar em si própria como se estivesse a ver uma desconhecida.

Raízes prateadas junto ao couro cabeludo, pontas de um castanho apagado e cansado, uma linha nítida onde começa a tinta. O/a cabeleireiro/a está atrás dela, tubo de coloração na mão, à espera do aceno habitual. Cobrir. Esconder. Apagar.

Mas desta vez ela hesita.

Ao lado, outra cliente está a fazer um “esfumado” suave no cabelo - uma mistura de prata, bege e pérola que, de alguma forma, faz o grisalho parecer intencional, caro, vivo. Sem linha dura de crescimento. Sem guerra com a natureza. Apenas… uma nova história.

Nas redes sociais e nas cadeiras dos salões, algo está a mudar. A coloração agressiva de repente parece aquelas calças skinny antigas em que nem dá para acreditar que um dia se usaram. As pessoas não estão apenas a ficar grisalhas. Estão a reescrever o que significa ser grisalho.

O fim da guerra contra as raízes

Percorra o Instagram e vai notar: o “capacete” de cor hiper-uniforme está a desaparecer silenciosamente. No lugar dele, uma abordagem mais suave e difusa ao grisalho está a ganhar terreno. Os/as coloristas chamam-lhe “grey blending” (mistura do grisalho), “luzes esfumadas”, “derreter sal-e-pimenta”. É menos sobre esconder e mais sobre fundir o que está a crescer com o que já tem.

A sensação? Natural. Leve. Caro, sem pedir atenção aos gritos.

Esta mudança não surgiu do nada. As raízes da pandemia puseram toda a gente a olhar para o cabelo natural durante meses, a ver fios prateados a espalharem-se como pequenas rebeliões. Muitos nunca voltaram à cobertura total. Queriam liberdade do calendário de visitas ao salão. Queriam um cabelo que pudesse crescer sem os “trair” no espelho da casa de banho.

Numa tarde de terça-feira em Londres, a colorista Ayesha diz-me que, há cinco anos, talvez uma cliente por mês lhe pedia para “trabalhar com” os brancos. Agora, é uma em cada três. A cadeira dela enche-se de mulheres nos 30, 40, 50 e mais, a deslizarem capturas de ecrã hesitantes nos telemóveis. Fotos de bobs prateados esbatidos, balayage esfumada, pixies cinzentos marcados que parecem mais editorial de moda do que resignação.

Não estão necessariamente prontas para ficar totalmente naturais. Esse salto ainda parece grande, carregado, definitivo. Em vez disso, pedem uma transição mais lenta. Uma forma de deixar de sentir que estão a uma marcação falhada de “parecerem velhas”. Ayesha conta-me que algumas chegam quase a pedir desculpa, a sussurrar: “Acho que quero ver como é o meu cabelo verdadeiro.” Saem mais leves - não só na cor.

Os dados confirmam o que acontece nas cadeiras. O interesse de pesquisa por “grey blending” e “assumir cabelo grisalho” disparou nos últimos três anos, enquanto as pesquisas agressivas do tipo “cobrir os brancos” estagnaram. Também se vê a divisão geracional: a Geração X e os millennials mais velhos, criados a tinta de caixa e campanhas de castanho brilhante, estão a fazer a maior viragem. Estão cansados de perseguir uma cor que, depois dos 45, não existe na natureza sem manutenção constante.

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A lógica é simples. Quando cada dois milímetros de raiz parecem um fracasso, há algo de errado. Os grisalhos esbatidos mudam o padrão. Em vez de o cabelo ser um segredo que tem de manter, passa a ser uma história que pode editar, suavizar e deixar evoluir consigo.

Como é que o novo grisalho funciona na vida real

A nova abordagem ao grisalho não é magia. É técnica e tempo. Os/as coloristas começam por mapear onde é que o seu prateado natural realmente nasce - quase como fazer contorno para o couro cabeludo. Depois constroem uma “ponte” entre os comprimentos pintados e as raízes com madeixas ultrafinas, lowlights e tonalizantes em tons frios e esfumados.

O objetivo é apagar a fronteira dura. Pense em névoa, não em linha. O seu grisalho natural passa a ser o tom mais claro de toda uma paleta, em vez de ser o intruso.

Para algumas pessoas, isso significa acrescentar babylights geladas à volta do rosto e partir a tinta antiga, escura, atrás. Para outras, trata-se de suavizar apenas as camadas superiores para poder “testar” um visual mais natural sem desmontar anos de cor de uma só vez. O processo é gradual por definição. Isto não é uma transformação que se desfaz no fim de semana seguinte.

Isso não significa que não existam armadilhas. Um dos erros mais comuns é querer passar diretamente de anos de tinta de caixa preta ou castanho-escuro para “prateado numa sessão”. O cabelo não esquece. Agarra-se ao pigmento como quem guarda um ressentimento, e clarear demasiado depressa leva a quebra ou ao famoso laranja irregular.

Outro deslize: agarrar-se à exata tonalidade que tinha aos 25. O tom de pele, a cor dos olhos, até a densidade das sobrancelhas mudam com a idade. Um preto azeviche ou um vermelho cereja que antes parecia dramático pode, de repente, “puxar” o rosto para baixo. Um cinza suave, um tom cogumelo ou um bege junto aos brancos pode, na verdade, levantar mais as feições do que uma tinta de cobertura total.

Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias. Não vai estar a dar brilho, a tonalizar, a fazer máscaras e a massajar o couro cabeludo a horas. É por isso que esta nova abordagem aposta na tolerância. O cabelo pode crescer um pouco, desbotar um pouco, ganhar dimensão no intervalo. O objetivo não é “nunca mais ter raízes”. É “raízes que não estragam o seu dia”.

“Deixei de tentar parecer a minha fotografia antiga do cartão de identificação”, ri Claire, de 56 anos, que passou dois anos a transitar de castanho-avelã para um bob prateado esfumado. “Quando a linha dura desapareceu, o grisalho passou a parecer… meu. Não um problema para resolver, apenas parte do meu rosto agora.”

Há também uma mudança emocional silenciosa naquela cadeira. Num nível subtil, escolher suavizar a cor em vez de lutar contra ela parece declarar tréguas com o próprio reflexo. Não significa desistir. Significa escolher que batalhas valem as marcações de 3 horas no salão - e quais não.

  • Peça “grey blending” ou “transição suave”, não “cobrir os brancos”. As palavras que usa definem o tom.
  • Leve fotos de pessoas com uma base natural semelhante à sua, e não apenas bobs brancos aspiracionais do Pinterest.
  • Conte com uma viagem de 6–18 meses, não com uma única marcação - sobretudo se pinta escuro há anos.

Cabelo grisalho como um novo tipo de símbolo de estatuto

Socialmente, também está a acontecer algo inesperado. Onde o grisalho antes era lido como “cansado” ou “deixou-se”, o novo grisalho esbatido e intencional começa a sinalizar outra coisa: autonomia, bom gosto, até uma espécie de luxo discreto. Aquele corte prateado polido, com pontas afiadíssimas e brilho de vidro, não diz “não quero saber”. Diz precisamente o contrário.

Já vimos isto nos círculos da moda. Editores e diretores criativos a deixarem crescer as raízes e a transformá-las numa assinatura. Influenciadores a trocarem filtros e balayage por selfies em grande plano de riscas nas têmporas, enquadradas por boa skincare e um batom vermelho. Num registo mais comum, é a colega que volta de férias um pouco mais grisalha - e, de alguma forma, com ar mais fresco.

O verdadeiro trunfo é que esta nova abordagem oferece algo que as redes sociais raramente dão: alívio. É permitido estar “a meio”. Entre tons, entre décadas, entre fotografias antigas de si e novas. A coloração agressiva pertencia a uma era em que ou estava “feito” ou estava a “deixar-se ir”. O grey blending vive na nuance do meio. Esse espaço desconfortável onde a maior parte da vida real acontece.

Num comboio cheio, já se consegue ver. O bob prateado a brilhar com lowlights mais escuros. O cabelo comprido com peças brancas brilhantes dispersas que apanham a luz como joias. O corte sal-e-pimenta num homem que parece mais arquiteto do que avô. Pode até dar por si a olhar um segundo a mais - não por julgamento, mas por curiosidade.

É para aqui que a conversa está a ir. Menos “Devo esconder os brancos?” e mais “Que versão do meu cabelo se sente mais como eu, agora?”

Ponto-chave Detalhe Interesse para o/a leitor/a
Grey blending vs cobertura total Madeixas suaves, lowlights e tonalizantes fundem o grisalho natural com a cor existente Oferece uma transição sem pressão, com raízes menos óbvias
Linha temporal, não solução rápida A transição costuma demorar 6–18 meses, sobretudo a partir de tinta escura Ajuda a definir expectativas realistas e a evitar danos no cabelo
Grisalho como escolha de estilo Um grisalho polido e intencional lê-se como moderno e confiante Reenquadra o envelhecimento: de algo a esconder para algo a desenhar

FAQ

  • O grey blending vai fazer-me parecer mais velha? Não necessariamente. Uma cor agressiva e “chapada” pode envelhecer o rosto tanto quanto o grisalho. Uma mistura mais suave e fria que combine com o seu tom de pele muitas vezes parece mais fresca do que uma tinta pesada de bloco.
  • Com esta nova abordagem, com que frequência preciso de ir ao salão? A maioria das pessoas consegue espaçar as marcações para cada 8–12 semanas. Como a linha de crescimento fica esbatida, dá para viver com algum crescimento sem entrar em pânico.
  • Posso passar de tinta de caixa escura para um grisalho suave numa só sessão? Realisticamente, não. Anos de pigmento precisam de ser removidos gradualmente para evitar quebra e cor irregular. Conte com várias sessões e um plano a médio/longo prazo.
  • Tenho de cortar o cabelo curto para assumir os brancos? De todo. As técnicas de mistura funcionam em comprido, médio e curto. Algumas pessoas fazem um grande corte para acelerar; outras mantêm o comprimento e transitam devagar.
  • E se eu experimentar e odiar o resultado? Pode sempre voltar a acrescentar lowlights estratégicos ou um tom global mais suave. O grey blending é mais flexível do que ficar totalmente prateado de uma vez - e é por isso que tanta gente o usa como fase de “test-drive”.

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