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Caixas automáticos acabaram: eis o novo método de levantar dinheiro que está a gerar reações.

Pessoa a pagar com notas num supermercado, ao lado de frutas e legumes numa embalagem reutilizável.

A mulher em frente ao supermercado fixava a parede de tijolo como se fosse uma piada de mau gosto.

Um rectângulo esbatido onde antes existia um multibanco, um aviso manuscrito do banco e… nada. Sem dinheiro. Sem ranhura. Apenas um código QR e uma frase: “Use o seu telemóvel para levantar na caixa.”

Ela hesitou, telemóvel na mão, carrinho cheio, a fila atrás a ficar impaciente. A caixa sorriu, passou as compras e depois o código. Trinta segundos depois, ela enfiava notas novinhas na carteira. Sem cartão. Sem teclado. Sem ficar à chuva em frente a um ecrã amarelo intermitente.

A velha caixa metálica na rua está a desaparecer. O novo “multibanco” anda lá dentro, com crachá ao peito e a ler códigos de barras. E nem toda a gente está bem com isso.

Os multibancos estão a desaparecer - e o dinheiro está a mudar-se para dentro da loja

Dê uma volta por qualquer cidade de média dimensão neste momento e vai reparar. Suportes vazios na parede onde antes zumbiam máquinas de dinheiro, cabos a sair, um logótipo desbotado ainda colado ao vidro. Os bancos estão discretamente a retirar multibancos das ruas, das bombas de gasolina, até dos centros comerciais. O motivo é tão frio como as caixas metálicas que estão a mandar para a sucata: são caros de manter e há menos gente a usá-los.

O que os substitui não é mais um equipamento no passeio. É uma mistura de apps no telemóvel, códigos QR e algo chamado “levantamento na caixa” (cashback no ponto de venda). Tradução: já não vai a uma máquina - vai a uma pessoa.

Para muita gente, esta mudança parece uma pequena revolução. Conveniente, sim. Invisível, também. E está a gerar uma espécie de irritação silenciosa.

No Reino Unido, mais de metade dos multibancos gratuitos desapareceu de algumas zonas rurais em apenas alguns anos. Nos EUA, bares locais e mercearias estão a transformar-se em mini-bancos sem os pisos de mármore. Os bancos promovem “levantamentos sem cartão” nas apps: toca em alguns botões, recebe um QR ou um código numérico e depois levanta o dinheiro num terminal ou na caixa.

Em Espanha e em partes da América Latina, clientes bancários já podem entrar em supermercados parceiros, mostrar um código no telemóvel e sair com notas na mão, como se tivessem usado um multibanco clássico. A máquina ainda existe, mas foi empurrada para segundo plano. A interface real é o seu telemóvel, a loja e o backend do banco.

Em teoria, é inteligente. As lojas ficam com menos dinheiro parado nas caixas durante a noite. Os bancos cortam custos com transporte de valores e manutenção. Você obtém o dinheiro onde já está a fazer compras, em vez de desviar o caminho até uma cabine triste à beira da estrada.

Eis o que realmente se passa por trás. Os multibancos tradicionais são computadores blindados e isolados que comunicam constantemente com redes bancárias. Precisam de energia, localização segura, reposição de numerário, manutenção, actualizações de software, protecção antifraude. Cada caixa é como manter uma mini-agência.

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Com “dinheiro na caixa”, o multibanco é virtual. A sua app bancária autentica-o, reserva o montante e entrega à loja uma promessa do banco. A caixa dá-lhe as notas e a gaveta fica acertada com um pagamento digital que entra. Sem máquina grande. Sem visita separada. Apenas um aperto de mão de dados entre banco, telemóvel e loja.

A parte controversa não é a tecnologia. É o que desaparece com a caixa metálica: anonimato, espontaneidade e a sensação de que o dinheiro “está ali” na rua - não escondido atrás de ecrãs e apps.

Como funciona, na prática, esta nova forma de levantar dinheiro no dia-a-dia

O novo ritual começa quase sempre no telemóvel. Abre a app do banco, vai a “Levantar dinheiro” ou “Dinheiro sem cartão”, escolhe um montante e recebe um código QR ou um código de utilização única. Tem uma janela curta - por vezes dez minutos, por vezes uma hora - para concluir o levantamento.

Depois entra numa loja parceira ou aproxima-se de um ponto de autoatendimento compatível. Mostra o código à caixa ou lê-o no terminal. Confirma a sua identidade com um PIN rápido, impressão digital ou Face ID no telemóvel e recebe as notas. Sem cartão enfiado numa ranhura. Sem banda magnética.

O multibanco torna-se um fluxo invisível, não uma caixa física. Continua lá em segundo plano, mas é você que o “segura pela mão” através do telemóvel, em vez de carregar nos botões na rua.

Em Itália, alguns bancos já permitem levantar em quiosques e tabacarias usando apenas um código. Na Índia, “micro-ATMs” - basicamente leitores de cartão com verificação biométrica - ficam em balcões de lojas cheias, operados por comerciantes locais que funcionam como multibancos humanos para o bairro.

Um jovem estafeta em São Paulo contou-nos que raramente toca num multibanco de parede. Pré-carrega um levantamento na app mesmo antes de ir às compras. Na caixa, acrescenta “R$100 em dinheiro” à conta, tira um screenshot da confirmação e o banco mostra imediatamente o débito como se tivesse sido num multibanco normal.

Num sábado de manhã, parece nada de especial. Só mais alguém a pedir troco na caixa. Mas por trás desse gesto casual, uma operação bancária inteira mudou da rua para dentro de uma loja.

Porque é que os bancos estão a empurrar isto? Dinheiro. Manter uma rede de multibancos custa milhões: rendas, transporte de numerário, reparações, seguros, tecnologia anti-skimming. Cada transacção que passa por uma loja ou por um “multibanco virtual” via app transfere esse peso. Um supermercado já tem pessoal, câmaras, dinheiro e segurança.

Há também um lado comportamental. Quando o seu levantamento passa a viver dentro da app bancária, é mais provável que use a app para tudo o resto. Ver saldos. Abrir uma poupança. Fazer um pequeno empréstimo. Do ponto de vista do banco, não estão a “acabar com multibancos”; estão a puxá-lo mais para dentro do ecossistema deles.

Para si, é uma troca. Conveniência e flexibilidade de um lado. Menos acesso físico e público ao dinheiro do outro. O novo modelo faz discretamente uma pergunta: quanto é que ainda quer notas anónimas, sem perguntas, saídas de uma caixa na rua?

Como usar estes novos “multibancos invisíveis” sem sair prejudicado

O passo prático agora é simples: perceber onde e como o seu banco permite levantar dinheiro sem um multibanco tradicional. Abra a app e procure expressões como “dinheiro sem cartão”, “dinheiro na caixa”, “levantar via QR” ou “locais parceiros”. Esse é o seu novo mapa de acesso a notas.

Assim que encontrar a funcionalidade, faça um teste pequeno. Configure um valor baixo - o preço de um ou dois cafés - e percorra o processo todo num momento tranquilo, não quando estiver a correr para apanhar um comboio. Sinta quanto tempo demora, que ecrãs aparecem, onde está o botão “Cancelar”. Esse ensaio curto elimina a maior parte do stress quando precisar mesmo de dinheiro à pressa.

Depois decida, discretamente: que loja ou tipo de local lhe parece aceitável como o seu novo “multibanco” de referência?

Ao nível humano, esta transição é confusa. Nem toda a gente tem um smartphone. Nem toda a gente quer abrir uma app bancária numa fila cheia. Num dia mau, uma actualização estraga a funcionalidade, a bateria morre, ou a ligação cai exactamente quando precisa do código. Todos sabemos: a tecnologia não falha quando está relaxado em casa - falha quando está atrasado e a chover.

Por isso, dê-se uma margem de segurança. Guarde uma pequena reserva de “dinheiro de emergência” na mala ou em casa. Saiba o horário de funcionamento da única agência ou multibanco físico que ainda fica ao alcance. E não se sinta culpado se gosta da sensação de ter dinheiro na mão que não veio com um QR code anexado.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Ninguém verifica cada nova funcionalidade da app como se fosse um manual. É provável que tropece neste novo sistema quando der de caras com uma parede - literalmente, a parede vazia onde antes havia um multibanco - e depois improvise.

“O verdadeiro choque não é os multibancos estarem a desaparecer”, diz um analista de pagamentos com quem falámos em off. “É que muitas pessoas só vão reparar no dia em que precisarem desesperadamente de dinheiro e descobrirem que a sua terra já não tem multibancos a sério.”

  • Não ignore a mudança - quando o último multibanco local desaparecer, levantar dinheiro pode subitamente demorar mais, não menos.
  • Verifique comissões - algumas opções de “dinheiro na caixa” incluem pequenas taxas; outras são totalmente gratuitas.
  • Pense na privacidade - cada levantamento via app deixa um rasto mais claro do que enfiar um cartão num multibanco na rua.

Um futuro em que o dinheiro vive nos bolsos, não nas paredes

Estamos a entrar num estranho mundo intermédio. Terminais de pagamento, telemóveis e wearables tratam de quase tudo, mas o dinheiro físico continua a importar para gorjetas, feiras, emergências e para pessoas deixadas de fora da festa digital. Os multibancos costumavam ser a ponte entre esses mundos. Agora, a ponte está a dissolver-se em apps, lojas e carris invisíveis.

Numa noite tranquila, sente-se a troca. O canto vazio onde o velho multibanco zumbia agora tem um suporte para bicicletas ou um novo balcão de café. Lá dentro, no supermercado, a caixa conta notas para alguém que acabou de mostrar um QR code em vez de um cartão de plástico. Sem grandes anúncios, sem inaugurações. Apenas uma reescrita lenta e silenciosa do lugar onde o dinheiro vive.

Todos já passámos por aquele momento em que vamos à carteira, percebemos que não temos dinheiro e sentimos um pequeno pico de pânico. Esse pequeno choque está a transformar-se numa pergunta maior: quem controla o acesso ao dinheiro físico quando as máquinas que o cuspiam desaparecem?

Os novos “multibancos” não são máquinas - são redes de lojas, apps e acordos. Na maior parte do tempo, provavelmente vai achá-los convenientes. Também pode sentir falta da caixa de aço anónima que nunca perguntou porque queria o seu próprio dinheiro, ou com que frequência. Entre essas duas sensações, está a formar-se um novo normal. Quer gostemos, quer não, estamos todos a testá-lo em beta.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Desaparecimento dos multibancos Os bancos fecham distribuidores físicos para reduzir custos Perceber porque é que a parede de multibanco do bairro está a esvaziar
Levantamento via app e comércio Códigos, QR e “dinheiro na caixa” substituem o levantamento clássico Saber como obter dinheiro sem máquina
Desafios práticos e sociais Questões de privacidade, acessibilidade e dependência do smartphone Antecipar riscos e adaptar hábitos de pagamento

FAQ:

  • Os multibancos vão mesmo desaparecer por completo? Estão a diminuir rapidamente em muitas regiões, sobretudo os gratuitos, mas o desaparecimento total deverá ser desigual, com as cidades a mudarem mais depressa do que as zonas rurais.
  • Levantar dinheiro através da app do meu banco é seguro? Quando bem configurado com PIN, biometria e apps oficiais, é geralmente tão seguro como usar um cartão, embora fique mais exposto a perda do telemóvel e a phishing.
  • Vou pagar mais comissões com estes novos métodos de levantamento? Alguns bancos oferecem dinheiro na caixa gratuitamente; outros acrescentam pequenas taxas. Deve verificar as condições do seu banco e os locais parceiros.
  • E se eu não tiver smartphone ou app bancária? Provavelmente terá de depender dos multibancos restantes, dos correios ou das agências bancárias, o que torna ainda mais crítico estar informado sobre encerramentos locais.
  • As lojas podem recusar dar-me dinheiro na caixa? Sim. A participação é voluntária; mesmo lojas parceiras podem limitar montantes ou recusar em horas de maior movimento ou quando a caixa tem poucas notas.

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