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Um enorme tubarão-branco está numa zona turística popular; especialistas pedem cautela.

Salva-vidas observa tubarão no mar enquanto três crianças estão na praia, com brinquedos na areia.

O mar parecia perfeito para um postal - turquesa, liso, convidativo - quando a voz do piloto do helicóptero mudou subitamente de tom no rádio.

Por baixo dos barcos de turismo e dos flamingos insufláveis, uma forma mais escura deslizou ao longo do banco de areia. Grande, constante, demasiado direita para ser uma onda. Alguém numa prancha de paddle ficou imóvel. Outro continuou a filmar, a rir, sem ainda perceber o que a tripulação no ar acabara de avistar.

Um enorme tubarão-branco, mais comprido do que um carro familiar, movia-se lentamente por um dos locais de férias mais populares da época. As crianças continuavam a gritar na água rasa. Os banhistas nem sequer levantavam a cabeça. No pontão, um pescador recolhia calmamente a linha, vendo a sombra passar como um fantasma sob a superfície. As colunas na praia tocavam pop animado. O mar tinha outros planos.

Em terra, os especialistas começaram a fazer chamadas. E a mensagem era simples.

Quando uma sombra gigante entra em águas de férias

Visto de cima, o tubarão parecia um submarino a navegar mesmo abaixo da superfície espelhada. Nadadores-salvadores em motos de água seguiam-lhe o percurso, tentando não entrar em pânico nem alarmar as multidões. O animal não estava a debater-se nem a circular de forma frenética. Estava a fazer o que os tubarões-brancos fazem muitas vezes perto da costa: seguir linhas de temperatura, perseguir correntes, verificar o que a maré pode trazer.

Mais perto do passeio marítimo, famílias faziam fila para gelados, completamente alheias ao facto de um predador de topo estar a deslizar a apenas algumas centenas de metros. A única pista de que algo não estava bem surgiu quando as bandeiras vermelhas começaram a subir, poste após poste. Alguns turistas franziram a testa com a orientação súbita de “proibido nadar”. Outros encolheram os ombros e entraram na mesma até aos joelhos, a achar que o aviso era apenas excesso de burocracia. O mar, silencioso, não discutiu.

Isto não é um filme de terror passado num oceano remoto. O tubarão foi registado perto de marinas movimentadas, hotéis de grande altura e clubes de praia cheios. Biólogos que seguem a marcação do animal dizem que mede perto de 5 metros, um peso-pesado mesmo entre tubarões-brancos. As autoridades locais foram rápidas a partilhar fotografias aéreas com especialistas, que confirmaram a identificação e pediram calma, mas cautela firme. Um deles descreveu-o como “um visitante que respeitamos, não um monstro que perseguimos”, embora ninguém minimize o que um passo em falso em água turva pode significar.

Na última década, cada vez mais tubarões de grande porte têm sido filmados ou marcados ao longo de costas turísticas importantes, da Califórnia e Cape Cod ao Mediterrâneo e à Gold Coast australiana. Águas mais quentes, populações de focas em recuperação e regras de pesca mais restritas estão a trazê-los mais perto da costa. Os cientistas que estudam tubarões dizem que o animal observado esta semana provavelmente está apenas de passagem, a seguir presas em migração. O problema é que os humanos transformaram esses mesmos corredores migratórios em férias de praia e cenários para o Instagram. A sobreposição aumenta a cada verão.

Como aproveitar o mar quando há um tubarão-branco na zona

A primeira linha de defesa a sério não é um drone nem uma rede. É um hábito simples: ouvir quem tem literalmente como trabalho vigiar a água o dia inteiro. Quando as bandeiras vermelhas sobem ou os altifalantes mandam os banhistas sair, saia. Não negocie com a maré. Não espere que alguém reaja primeiro. Aqueles três minutos extra nas ondas não valem o risco com um animal que, na prática, nunca se vê a chegar.

Os especialistas também destacam o horário e o local. De manhã cedo e ao fim da tarde, quando a luz é baixa e as silhuetas são mais difíceis de interpretar, são janelas de caça ideais para predadores. Ficar em água clara e pouco profunda dentro de zonas assinaladas reduz drasticamente o risco. O mesmo acontece ao evitar nados a solo muito para lá das boias, sobretudo perto de desembocaduras de rios, entradas de portos ou colónias de focas. Pode sentir-se um espírito livre. Para um tubarão-branco, pode parecer um snack em forma de foca ferida.

Todos já tivemos aquele momento em que o mar parece tão perfeito que qualquer aviso soa exagerado. Sol alto, crianças a rir, ondas suaves e mornas. É precisamente quando as pessoas ignoram os alertas da praia. Investigadores de tubarões repetem uma regra discreta: evite salpicar de forma frenética, fique em grupo e repare onde se concentram aves e peixes-isca. Quando o oceano mostra agitação invulgar - cardumes a saltar, aves a mergulhar agressivamente, manchas escuras de “baitball” - é o sinal para recuar e observar a partir da areia.

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Os números contam uma história mais assente do que os nossos medos. A nível global, as mordidas de tubarão não provocadas continuam a ser extremamente raras, mesmo com a explosão do turismo costeiro. Estatisticamente, é muito mais provável que se magoe a conduzir até à praia do que na água. Ainda assim, um único incidente dramático reinicia a nossa química cerebral. Imagens de dentes e sangue fixam-se mais do que décadas de coexistência pacífica. É assim que crescem os mitos e que os rumores na praia viajam mais depressa do que o próprio tubarão.

Biólogos marinhos insistem que os tubarões-brancos não patrulham as linhas de costa com humanos em mente. Muitos “ataques” suspeitos são, na verdade, mordidas de exploração: um animal curioso testa uma forma desconhecida e depois larga. A tragédia é que um “teste” de um predador de 5 metros pode, ainda assim, ser catastrófico. Por isso, a lógica funciona nos dois sentidos. Respeite o risco estatístico extremamente baixo e, ao mesmo tempo, respeite a força bruta por trás desse risco. O oceano é selvagem, mesmo onde os cocktails são servidos em ananases de plástico.

Manter-se em segurança sem estragar as férias

Há um método simples que os especialistas repetem discretamente às autoridades locais sempre que um tubarão grande aparece perto de uma costa movimentada: comunicar cedo, com clareza e com frequência. Isso começa com sinalização honesta nas entradas da praia, não com avisos minúsculos que ninguém lê. Mensagens curtas nos altifalantes, bandeiras atualizadas, nadadores-salvadores a percorrer a linha de toalhas para explicar o que se passa. As pessoas lidam melhor com o risco quando o compreendem, em vez de o receberem como boato nas redes sociais.

Para os visitantes, um hábito concreto pode mudar tudo: consultar todas as manhãs as atualizações locais do mar (surf) ou da autoridade marítima antes de ir para a praia. Muitas regiões publicam avistamentos de tubarões e imagens de drones quase em tempo real. Uma olhadela rápida ao telemóvel pode dizer-lhe que um animal grande foi visto a norte da baía principal ao amanhecer e que as autoridades recomendam nadar apenas dentro de redes. Sejamos honestos: ninguém faz isto mesmo todos os dias. Ainda assim, naquele dia em que um tubarão-branco passa junto ao seu hotel, essa verificação de cinco segundos passa a contar.

Outro gesto prático é copiar o que os locais fazem, não o que os turistas fazem. Se surfistas, pescadores e residentes de longa data ficam na areia a olhar para o horizonte, há normalmente uma razão. Se os habituais continuam a entrar, mas encostados aos bancos de areia mais interiores, isso também é uma pista. A opção mais segura é ler a “maré” humana com a mesma atenção com que lê a água.

Os especialistas desconfiam do equipamento “anti-pânico”. Dispositivos tecnológicos no tornozelo, fatos de neoprene de cores estranhas, autocolantes em forma de tubarão nas pranchas - a maioria tem evidência limitada. As ferramentas mais eficazes continuam a ser aborrecidas: respeitar interdições, não nadar ao amanhecer nem ao anoitecer, evitar joias brilhantes e cortes a sangrar na água, e nunca deitar restos de comida perto de zonas onde as pessoas tomam banho. Os locais chamam a isto, em voz baixa, “não se comportar como isco”. É menos glamoroso do que um gadget, mas funciona.

Os responsáveis de praia também cometem erros. Por vezes, deixam as bandeiras em baixo demasiado tempo para não desiludir visitantes, ou reabrem cedo demais por pressão económica. Quando isso acontece, os nadadores-salvadores ficam no meio: a tentar proteger as pessoas e manter o ambiente descontraído. Um chefe de equipa foi direto:

“Prefiro ter dez famílias zangadas na areia do que uma cadeira vazia ao jantar porque avaliámos mal o risco.”

Para muitos veraneantes, a parte mais difícil é emocional. A ideia de um tubarão-branco gigantesco algures lá fora desencadeia um medo profundo, animal. Pode dar por si a vasculhar cada sombra na água, a saltar com um pedaço de alga a roçar-lhe a perna. É uma resposta normal a uma história de predador. Ainda assim, os especialistas sugerem manter a perspetiva, lembrando-se do que mais partilha aquela água: golfinhos, raias inofensivas, peixes coloridos, tartarugas. O mar não está “atrás de si”; está simplesmente cheio de vidas que seguem regras diferentes das nossas.

Há também uma verdade mais silenciosa, quase desconfortável: turismo e presença de tubarões estão ligados. Sobrepesca, alterações nos padrões climáticos, desenvolvimento costeiro - ajudámos a redesenhar o mapa que trouxe os tubarões-brancos para mais perto. Algumas localidades investem agora em programas não letais de deteção, drones e marcas de investigação, em vez de abates à moda antiga. É uma mudança cultural do “matar o monstro” para “gerir o vizinho”. O progresso é lento e por vezes confuso.

“Se queremos oceanos selvagens, temos de aceitar vizinhos selvagens”, diz um ecólogo marinho. “A questão é como partilhamos a linha de costa sem fingir que o perigo não existe.”

Nesse espírito, alguns pontos simples ajudam a controlar a ansiedade, sem deixar de respeitar o poder de um tubarão de 5 metros a deslizar sob catamarãs turísticos:

  • Nade perto de nadadores-salvadores, dentro das zonas assinaladas.
  • Saia da água quando as bandeiras vermelhas sobem ou quando soam avisos.
  • Evite amanhecer, anoitecer e água turva perto de desembocaduras de rios.
  • Evite nados longos a solo, fora de praias muito concorridas.
  • Consulte atualizações locais antes de entrar no mar.

Viver com o arrepio na espinha

A imagem daquele tubarão-branco a deslizar junto a turistas queimados do sol vai ficar na cabeça de quem viu as imagens. Uma forma escura em luz perfeita. Um lembrete de que o postal nunca conta a história toda. Nas redes sociais, o vídeo vai saltar entre legendas de horror e de admiração, alimentando os nossos impulsos gémeos de temer e venerar o selvagem.

Alguns dirão que o oceano devia ser “limpo” para o nosso descanso, como se fosse possível apagar predadores de topo como se fossem um objeto indesejado numa fotografia de férias. Outros argumentarão que os tubarões estavam lá primeiro e que os nadadores devem aceitar o que acontecer. A realidade, como quase sempre, está algures no meio. As pessoas continuarão a voar para passar a sua semana na praia. O tubarão continuará a seguir o seu caminho antigo ao longo de linhas de temperatura e trilhos de presas. A sobreposição não vai desaparecer.

A questão não é se deixamos de ir a estas praias, mas como ajustamos o nosso comportamento o suficiente para respeitar quem as partilha. Pode significar banhos mais curtos, mais atenção às bandeiras, conversas com nadadores-salvadores em vez de apenas acenar. Pode significar explicar a uma criança que sim, havia mesmo um tubarão gigante perto de onde ela construiu o castelo de areia - e que ficaram seguros porque ouviram, observaram e escolheram o momento.

Em algumas tardes, quando a multidão rareia e a luz fica dourada, pode dar por si a olhar para o horizonte durante mais tempo. Sabendo que, algures lá fora, uma enorme silhueta branca continua a deslizar, invisível, entre barcos de pesca e passeios ao pôr do sol. Não a caçá-lo, nem a pensar em si. Apenas a viver a sua vida numa faixa de água que gostamos de chamar “nossa” durante algumas semanas por ano. Esse conhecimento silencioso muda a forma como as ondas lhe tocam nas pernas. Não tem de roubar a alegria. Apenas acrescenta um arrepio de realidade por baixo do brilho da superfície.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Presença de um grande tubarão-branco Um indivíduo com cerca de 5 m foi observado junto de uma zona turística muito frequentada Compreender porque é que as autoridades reforçam as mensagens de prudência
Comportamentos a adotar Seguir as bandeiras, evitar amanhecer e anoitecer, ficar em zona vigiada Reduzir fortemente o risco, mantendo o prazer de ir ao mar
Coexistência com tubarões Os tubarões-brancos seguem mais as presas e as correntes do que os humanos Relativizar o medo, manter a calma e uma visão lúcida do oceano

FAQ

  • Ainda é seguro nadar se foi avistado um tubarão-branco nas proximidades? O risco nunca desce a zero, mas diminui muito se ficar em zonas sinalizadas, perto de nadadores-salvadores, e respeitar encerramentos temporários ou avisos sem discutir.
  • Porque é que os tubarões-brancos estão a aproximar-se de praias populares? Águas mais quentes, populações de focas em recuperação e correntes em mudança estão a aproximar as presas naturais - e, por isso, os tubarões - de linhas de costa hoje muito usadas por humanos.
  • Quais são as horas e os locais mais seguros para nadar? Meio do dia, em água clara, dentro de zonas balneares assinaladas, com nadadores-salvadores ativos e boa visibilidade - são as condições que os especialistas recomendam.
  • Os dispositivos de dissuasão de tubarões funcionam mesmo? Alguns mostram potencial em testes específicos, mas nenhum oferece proteção total; mudanças de comportamento e seguir as autoridades de praia continuam a ser mais fiáveis.
  • Quão raras são as mordidas de tubarão em humanos? Extremamente raras quando comparadas com quase qualquer risco do dia a dia; milhões de pessoas entram no mar todos os anos e apenas um número muito pequeno de encontros termina em lesão.

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